12/11/2018

Bloquear com ferro e vapor

Hoje venho falar-vos de uma forma diferente de bloquear uma peça de tricot, que é muito útil, em especial, no inverno, quando tudo demora imenso tempo a secar, para além de se evitarem vincos dos lados, onde a peça tem de ficar dobrada para se colocar plana sobre uma superfície. Para isso vou mostrar-vos o processo que segui num projeto que acabei há uns dias: o Ninilchik Swoncho da Caitlin Hunter, que fiz em Rowan Felted Tweed (detalhes aqui).

Decidi bloquear este swoncho desta forma porque têm estado uns dias chuvosos e ia demorar imenso tempo a secar, em especial porque são duas camadas de tecido que ficam sobrepostas. Tinha visto há tempos a dupla Arne & Carlos a mostrar num dos seus vídeos esta técnica e lembrei-me de que, quando era miúda e a minha mãe fazia tricot para fora, era exatamente isto que fazia.

O primeiro passo é colocar o ferro à temperatura indicada para lã, já que se estiver muito quente corre-se o risco de a peça encolher. O meu ferro é a vapor, mas não é necessário que seja.



Em particular neste tipo de trabalho com cores nota-se muito o efeito de bloquear, já que antes parece estar sempre com algumas ondinhas.

Deve então molhar-se uma toalha (deve ficar apenas humedecida e não encharcada) e passa-se a peça com a toalha entre esta e o ferro. Isto vai causar a libertação de vapor, que permitirá às malhas relaxar. Não devem passar-se os canelados, já que estes não se pretende que fiquem esticados.

E pronto! Basta fazer isto dos dois lados, garantindo que se cobre toda a extensão da peça. Simples!



05/11/2018

Os meus sobrinhos são os mais lindos!

Recentemente o meu sobrinho mais novo, o Guilherme, foi batizado. A minha prenda foi, como costuma ser em ocasiões especiais para a família, uma camisola feita por mim. O modelo é fantástico, trata-se do Tenderheart das tincanknits. Usei como cor principal um azul escuro em fio Rialto DK da Debbie Bliss e como cor contrastante um branco Fado da Fonty. A camisola resultou lindamente, mas o Guilherme elevou-a a outro nível! Ora vejam só esta fofura....





29/10/2018

Casaco rosa

Hoje venho falar-vos de um casaco que terminei em setembro último, o rose da Andrea Mowry. Demorei o verão todo a fazê-lo, não apenas por estar muito calor, mas porque é efetivamente um trabalho muito elaborado. Nunca tinha feito nada desta designer, e fiquei impressionada, com a variedade de técnicas e com a construção diferente e absolutamente genial. Ela é conhecida pelos "fading", isto é, ir passando gradualmente de umas cores para outras. Mas este casaco vai bastante mais longe. Para além do esquema de construção, usa de forma diferente técnicas de coser que são incorporadas no próprio design. Eu que há uns anos detestava coser, comecei a ver esta parte dos trabalhos como algo relaxante e que pode fazer toda a diferença nos acabamentos (é o caso de quase todos os modelos da revista Rowan, que adoro e aconselho). Sem querer desvendar muito sobre a construção do casaco, já que é um modelo pago, aqui vão algumas das partes que me parecem mais interessantes. O casaco é este:

É construído em 4 partes na horizontal. Essas partes são depois unidas nas costas com um remate de 3 agulhas (three needle bind off), mas efetuado do direito, para que a costura fique visível.

Dos lados e mangas (que são construídas ao mesmo tempo), na parte inferior faz-se uma costura com matress stitch do direito, para que fique invisível, e na parte superior do avesso, para que fique enquadrada no padrão dos torcidos. Genial, certo? (aquela parte ali pelo meio dos torcidos é a costura!)

O passo seguinte é apanhar malhas das mangas para se poderem fazer os cuffs em canelado, bem como apanhar malhas no fundo do casaco para fazer o hem em canelado também.


A última parte foi fazer as bandas do casaco, duas, que foram cosidas mais uma vez com matress stitch, desta vez do direito para que a costura ficasse invisível, sendo unidas atrás do pescoço com kitchener stitch.


Foi um trabalho que me deu muito prazer, porque o fiz sem pressas (tem mesmo de ser!), saboreei cada passo da construção e adorei o resultado final. A minha escolha de cores acho que foi muito feliz e o fio é pure da wollmeise.
Se precisarem de dicas ou ajuda a fazer este casaco, não hesitem em contactar-me!

22/10/2018

Paninhos multi-usos

Este ano decidi entrar no desafio da yarnhoarder, de fazer um dishcloth por semana durante o ano de 2018. Como não tinha algodão, decidi comprar uma coleção de 56 cores, da marca paintbox, e fiz tantos este verão, quando não conseguia fazer mais nada com o calor, que acabei por fazer 63 paninhos. Das 56 cores originais, sobraram vários pedacinhos que uni com magic-knot e fiz alguns com cores misturadas.
Adoro estes paninhos para a cozinha, para panos de rosto, de mãos, de banho. Cada paninho demorava pouco mais de duas horas a fazer, são bastante grandes e fofinhos (o algodão é de espessura aran).
Alguns serão prendinhas de Natal!
Como se não chegasse a alegria de os ver assim tão lindos todos juntos, ainda ganhei um prémio da yarnhoarder através do instagram. Adorei este projeto!


15/10/2018

Regras do bem-tricotar

Tenho pensado bastante sobre este tema, e antes que alguém pense que venho aqui impor "regras", descansem. Começo já por dizer que não há uma forma de "bem-tricotar". Ou melhor, o bem-tricotar tem tantas definições como o número de tricotadeiras—cada uma tem de encontrar a sua.
O que eu pretendo hoje é falar um pouco da minha.
Ao longo destes últimos anos, em que adotei o tricot como hobby, mudei muitas vezes a forma como encaro o tricot e fui adaptando essa forma de tricotar à minha maneira de ser. Acima de tudo, tento fazer com que tricotar seja sempre uma experiência de puro prazer para mim. Quando um hobby causa stress, então está na altura de se repensar como encará-lo. As minhas regras do bem-tricotar são então:



1. Não ter muitos WIPs. Fui descobrindo estes anos que não funciono bem quando tenho muitos projetos começados. E o não funcionar bem significa que me causa stress. Sou em tudo muito organizada (quase maníaca em algumas coisas), e ver muitos trabalhos começados provoca-me tal desarrumação mental (para além da óbvia confusão de fios, sacos, agulhas) que muitas vezes quase começo a hiper-ventilar...  Há alturas em que preciso de começar outro projeto para uma prenda, porque estamos perto do Natal, ou porque simplesmente sou invadida de uma vontade irreprimível de começar montes de coisas novas. Arrependo-me sempre, e este verão voltou a acontecer-me... é que depois parece que não consigo acabar nada, perco imenso tempo e energia a decidir em que trabalho vou pegar! Já consegui terminar alguns dos muitos projetos que comecei, mas ainda tenho todos estes nas agulhas. Pretendo acabá-los até ao final do ano, e vou tentar não me enervar demasiado com isso...


2. Não fazer test-knits nem entrar em KALs.
É uma regra que teimo esquecer muitas vezes, e depois lá ando eu enervada com prazos e a fazer coisas contrariada. No momento que escrevo isto, acabo de me inscrever num teste para a Kate Davies que, felizmente, tem muitas candidatas porque iria arrepender-me de certeza absoluta. Porque é que às vezes não resisto? Não sei, mas tenho entrado em cada vez menos.

3. Terminar trabalhos. Sem dúvida nenhuma que mais que uma tricotadeira de processo, sou uma tricotadeira do produto acabado. Claro que adoro o processo, ou não tricotaria, mas todos os trabalhos têm uma fase de entusiasmo no início que, inevitavelmente, esfuma-se quando se chega àquela parte em que nos apetece estar a fazer outra coisa qualquer. Seja a segunda meia, as mangas, coser, rematar as pontas..., enfim, todas temos alguma coisa que não nos agrada assim tanto em todos os projetos. Quando isso me acontece, avanço quase sem pensar e penso no produto final. Às vezes custa, mas a satisfação de acabar sobrepõe-se a tudo isto. Com a febre de começar muitas coisas, acabei também várias logo a seguir às férias. E eu adoro ver um projeto concluído!

E pronto, estas são as regras que eu sigo, não apenas no meu tricot, mas também no meu dia-a-dia e no trabalho, com as respetivas adaptações, claro está.

É que o multi-tasking é um mito!

Como este post já vai muito palavroso, deixo-vos as fotos dos projetos que terminei de agosto para cá (com detalhes na minha página de projetos do ravelry).














09/10/2018

Experiências (falhadas?)

Olá! Há muito tempo que não publicava aqui, mas hoje apeteceu-me partilhar algumas brincadeiras que andei a fazer durante o fim de semana.
O meu filho mais velho pediu-me um boneco verde em tricot. O enchimento que tenho é o típico enchimento de acrílico branco, e por isso, quando a malha estica (quando o boneco se enche) percebe-se sempre que está algo branco lá dentro. Então tive uma ideia genial: ainda tinha uns frasquinhos de corante alimentar nas 3 cores primárias, e com o azul e amarelo preparei a panela para pintar o enchimento de verde. Qual não foi o meu espanto quando percebi que nem uma molécula de corante passou para o enchimento!

Quando estava prestes a deitar fora o banho verde, de repente lembrei-me que tinha alguns fios brancos, que podiam mudar de cor, e assim não desperdiçava o corante já gasto, e o banho aquecido. Esta experiência correu tão bem, que me apeteceu não ficar por aí, e como ainda tinha o frasquinho de corante vermelho (dos três das cores primárias), decidi usar esse também. O resultado foi simpático e diverti-me à brava!

Lição do dia para mim própria: mesmo quando as coisas correm mal, temos sempre a capacidade de fazer com que corram bem.

Até breve!


27/11/2016

Sacos, muitos sacos!

Olhando para as mensagens anteriores, reparo que já há muito tempo que não publicava nada. A verdade é que isso não significa que tenha andado parada, pelo contrário! O tricot é que tem sido um pouco negligenciado, em detrimento de outras atividades.

Hoje venho-vos mostrar uma pequena coleção de sacos. Digo coleção porque acho que nunca costurei tantos de uma vez, e não quis mostra-los antes de estarem todos prontos! Há sacos para todos os gostos e, com este formato, penso serem multi-usos. Mostro uma imagem de um deles com a minha mantinha (com cerca de 200 quadradinhos) para terem um pouco noção do tamanho e também para sugerir uma das possibilidades de uso: um saco de um projeto de tricot grande!

Mas podem ser usados como sacos de compras, são todos muito resistentes, ou simplesmente como bolsas práticas para o dia-a-dia.

Espero, sinceramente, que gostem! Cada saco é único e foram feitos com muito carinho.